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Projeto escolar sobre arte indígena permite compreender melhor a cultura do país

PUBLICADO EM April 23, 2020

Contato com a estética dos índios brasileiros, por meio dos bancos que produzem, revela a qualidade artística e a potência dessas obras, além da percepção de mundo dos artistas

O projeto “Bancos indígenas do Brasil”, da BEI Educação, destinado a estudantes do Ensino Fundamental e Médio, coloca os alunos em contato com a cultura dos índios brasileiros por meio de uma de suas principais manifestações artísticas: a construção de bancos. Esses objetos são produzidos há séculos, conforme relatos de viajantes do século XVI, e por diferentes etnias. 

Ao se aprofundarem nos conhecimentos sobre a cultura e arte indígena, refletindo sobre suas estéticas, técnicas e significados, a ideia é que os estudantes tenham condições de compreender melhor a construção histórica e cultural do nosso país. 

“Durante muitos anos se rejeitou a cultura indígena, mas ela está completamente presente, no vocabulário, na alimentação e nos hábitos que nós assimilamos. Ela precisa ser mais respeitada, então faz sentido percebê-la esteticamente também – a expressão humana que está ali contida, que mostra a noção cultural do povo indígena e a do artista indígena”, diz o artista plástico Sergio Fingermann.

Ele aponta que é interessante olhar para o caráter estético dessas manifestações, além da questão antropológica e sem limitá-las ao folclore ou algo exótico. “Os objetos contêm uma qualidade artística muito forte e uma grande potência, que vai além da sua função de banco, revelando sutilezas e percepção de mundo da comunidade e do artista.”

No aspecto estético, de acordo com Fingermann, as obras chamam a atenção pela beleza e originalidade e evidenciam as marcas e traços específicos de cada artista. Embora algumas façam referência à natureza, elas não buscam o retrato fiel naturalista, mas uma recriação artística, com aspectos lúdicos, mágicos e oníricos. Assim, dialogam com diversas questões da arte contemporânea – questão formal, síntese, do imaginário.

Além dos bancos de madeira originais de diferentes etnias, o material trabalhado nas escolas inclui vídeos, fichas de desenho e materiais para as aulas de artes, fichas de apoio para os professores e mapa com a localização das aldeias que produzem os bancos usados no projeto.

“A potência artística e criativa dessa coleção de banco constitui um acesso para os estudantes terem consciência política e ética em relação à cultura indígena. Nós temos uma dívida, que é colocá-la como parte integrante e importante da cultura brasileira. Nós devemos nos sentir responsáveis por cuidar dela e considerá-la como algo precioso e que faz parte das nossas vidas.”

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